quarta-feira, 5 de outubro de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TAMBORES NA RUA

Coletivo AfroCaeté e Maracatu Nação  A Corte de Airá convidam:
Ensaio Aberto 
para o Jaraguá Folia 2011

Dia 05 de fevereiro | sábado |  15h

Concentração no Palácio de Airá(rua Olavo Bilac, Nº. 50 - Sítio São Jorge)Informações: 87031181/ 88014265
 O Maracatu Nação A Corte de Airá e o Coletivo AfroCaeté farão ensaio aberto pelas ruas do Sítio São Jorge e Grota do Arroz. A atividade é preparativa para o grande cortejo percussivo que acontecerá no Jaraguá Folia e contará com a participação de diversos grupos culturais.


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Antropofagia Cultural em Tempos de Canibalismo Musical

É comum ouvir falar na grande febre que vive a cultura popular no Brasil. São grandes eventos, editais milionários, novos grupos a todo momento, enfim um importante cenário que cresce a cada ano. E com esse crescimento também surgem novos problemas. Não aparece nos cartazes e textos acadêmicos o exercício estético e injusto, praticado muitas vezes por falta de ética, e em outros momentos por ingenuidade mesmo, mas sempre por aqueles que detém o poder econômico e ou o poder acadêmico sobre os que fazem a cultura popular. As consequências deste tipo de atitude são grandes e sobrepesam geralmente entre os mestres de cultura popular, que são na sua grande maioria de origem pobre, ou entre os grupos formados por periféricos, que têm seus conhecimentos apropriados por aqueles que têm maior acesso a informações, casas de shows, editais, produtoras, etc.  
As culturas populares não estão, e nem devem estar, a disposição de qualquer atitude intelectual que objetive a realização de atividades extremamente pessoais denominadas como "novos trabalhos estéticos", geralmente se apresentam como "resgatadores da cultura popular e tradicional".  A cultura popular deve ser respeitada em sua essência e transformações. Transformações pode até parecer estranho, mas é esse mesmo o termo, tudo está em constante mudança e assim também acontece com as culturas populares. O que não devemos fazer é a exploração de um conhecimento que tem origem e lugar, e consequentemente autores, que geralmente têm sua sobrevivência desse trabalho. 
É preciso realizar um movimento contrário a esse canibalismo cultural, desenvolver ações de apoio e fortalecimento dos setores que são os verdadeiros promotores da cultura popular local. Só assim podemos empoderar aqueles que realmente sentem a cultura popular nas suas veias, como algo vivo, e fundamentam suas vidas com esse sentido. Evitar o roubo do que é popular quando usado apenas  para prestígio artístico, é um compromisso com a cultura popular. Buscar alavancar um grupo que não se desenvolve pelo seu  próprio talento e origem termina  por ser a "INVENÇÃO" de uma identidade que não é sua. Não é com o sentido de posse que afirmo essas questões, nem tão pouco que a cultura popular tenha um dono, mas no ambito de sentir mesmo o que se toca, de existir respeito e compromisso com o que se faz.  Se é apenas para aumentar o público e aumentar a fama, dinheiro, etc. não vale a pena. Demonstra a falta de ética e sensibilidade social de muitos músicos  e pesquisadores que atuam no cenário brasileiro.  
Um autor que traz importantes estudos sobre o fenômeno é José Jorge de Carvalho no texto "Metamorfoses das Tradições Performáticas Afro-Brasileiras: de Patrimônio Cultural a Indústria do Entreterimento" o  qual  trago um trecho que julgo importante da sua obra.

"Retornando a um modelo central da ideologia cultural do Estado-Nação brasileiro, qual seja, o famoso projeto modernista, analisemos criticamente uma frase clássica do Manifesto Antropológico de Oswald de Andrade: “Só me interessa o que não é meu”. Se pensamos na relação do artista metropolitano de elite com as comunidades afro-brasileiras ou indígenas, o autor da frase não questiona os privilégios de classe e de raça do sujeito que pode pronunciá-la. Enquanto um coreógrafo do eixo Rio-São Paulo pode “antropofagicamente” apropriar-se de um determinado saber performático de um tambor-de-crioula do Maranhão, por exemplo, nenhum artista desse tambor-de-crioula pode exercer esse mesmo canibalismo cultural sobre um grupo de dança “erudita” que se apresenta no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e que é apoiado, digamos, por uma subvenção anual milionária concedida pelo Banco Itaú para que possa realizar seus exercícios de antropofagia estética. O lema antropofágico funciona, na prática, como uma espécie de código secreto da impunidade estética e da manutenção de privilégios da classe dominante brasileira. Nessa antropofagia (obviamente de mão única), duas classes interligadas celebram, mediante símbolos por elas mesmas ditos nacionais, seus privilégios diante dos artistasdas comunidades indígenas e afro-brasileiras: a classe que se sentiu tão impune a ponto de poder realizar essa sempre celebrada síntese cultural modernista (os tais empréstimos culturais que, com o passar do tempo, se tornam roubo) e a classe (que é sua continuação histórica) que agora propõe e executa os inventários do patrimônio cultural imaterial brasileiro sem politizar a retirada do Estado em favor dos empreendedores preparados para mercantilizar, sem nenhum compromisso de continuidade, essas mesmas tradições performáticas. Insisto em questionar essa frase de  Oswald de Andrade, invocada tão freqüentemente (e que é emblemática de uma atitude de prepotência), por representar uma das poucas metáforas do encontro entre pesquisador e artista popular no Brasil que permaneceu, constante e sempre invocada, ao longo de 80 anos, para legitimar as contínuas intervenções de apropriação e expropriação culturais. Só me interessa o que não é meu: eu posso pegar tudo, porque tenho poder para isso e não apenas porque gosto disso. Essa é a atitude que conduz à voracidade do eu de uma elite branca que exige que todas as tradições performáticas afro-brasileiras e indígenas, sagradas ou profanas, estejam à disposição, tanto para satisfazer seus desejos estéticos de consumidor e de performer, como também para tentar resolver a ambivalência e a esquizofrenia política de sua identidade ocidental e do seu eurocentrismo profundo."

Carvalho é objetivo e permite concluir que não é possível conciliar com nenhuma prática de canibalismo musical. Talvez ainda seja cedo para uma conclusão final sobre o tema, contudo não podemos  deixar de cumprir um papel em favor da cultura popular brasileira enquanto buscamos respostas para essas questões.

Texto: CADU Ávila


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Simplicidade






A simplicidade dá cor à vida.

O sorriso de uma criança,
A certeza do Sol,
O despertar de uma flor,
A Saudade do Farol

O Mar ainda com frio
Com falta da Noite

O soluço de um adulto
Sem o seu nariz vermelho

Para brincando dizer a verdade
Mostrar a toda cidade

Para brincando dizer a verdade
De um mundo sem vaidade

Para Brincando dizer a verdade
Enquanto os que não brincam fazem maldade

A simplicidade dá cor à vida.

Ah! O mundo seria bem melhor se todos pudessem pintar o rosto,
Uma face de alegria, Outra da certeza...
Que não queremos comer com a nobreza

O Complexo está quando não se consegue entender a vida e o seu ser.



CADU Ávila

sábado, 16 de maio de 2009

QUADROS

O quadro social já não é mais o mesmo,
O quadro da vida não tem mais razão,
O quadro do amor está sem cor,
O quadro do ódio não tem perdão.
O quadro do quarto não é meu,
O quadro da sala não nos pertence,
No quadro da escola não se vê, e
O quadro no mundo poucos entendem.

A inocência perdeu a vez.
Tem sete pecados como reis.

A inocência perdeu a vez, foi na sala que ela morreu.
Tem sete pecados como reis, o mundo de Sofia não é só meu.

O quadro dos sonhos é passivo,
O quadro das idéias é inativo,
O quadro criativo não se acessa,
No quadro das pessoas falta uma peça,
O quadro do estado é um caos,
O quadro que se prega é tudo igual,
No quadro soviético não estava assim,
Não será este quadro o nosso fim, é...é... o nosso fim.

A inocência perdeu a vez.
Tem sete pecados como reis.
A inocência perdeu a vez, foi na sala que ela morreu.
Tem sete pecados como reis, o mundo de Sofia não é só meu.

É, tão triste ver,
É, tão triste ver,
São crianças como eu e você nas ruas todo dia sempre a mercê.

É, tão triste ver,
É, tão triste ver,
São pessoas como os nossos pais que aumentam o camelô e alguém diz que vai resolver.
É tão triste ver.

CADU Ávila - 2003

sexta-feira, 15 de maio de 2009

NADA

Não éramos NADA.
Hoje não precisamos de NADA.
Não buscamos resgatar NADA.
Não queremos Louvar a NADA.
O tudo só existe porque sei o que é o NADA.
Não somos homens cheios de NADA.
E não faremos nosso tudo desse NADA.
Mas temos a certeza que não compreendemos quase NADA.
O som só existe pelo vazio do NADA.
Quem muito é triste pode chorar por NADA.
Quem nunca foi triste um dia só, nunca amou NADA.
E sem amar não teríamos valor em NADA.
Desse jeito nossa vida não seria NADA.
Mesmo que tudo negue a existência do NADA.
Sem amor não queremos NADA.
E a opção de não querer NADA,
Pode vir da sabedoria encontrada em lugar nenhum.
E que não seja em nós mesmos.
Só sabemos que não sabemos NADA.

CADU Ávila - Jan - 2009